“Uma Igreja Santa Para O Deus Santo” é o lema da Igreja Adventista
da Promessa para os próximos 4 anos.
A maneira de comunicar esse lema para a juventude é através
da Geração Metanóia (meta= mudança, nous =mente), que tem sua
mente mudada.
Essa mudança foi resultado de um sincero e profundo arrependimento.
Esse arrependimento trouxe transformação. Este é o milagre Bíblico!
E a meta da FUMAP é incentivar que cadavez mais jovens, com vidas transformadas,
possam influenciar muitas outras vidas.
Sempre que o Novo Testamento usa a palavra Metanóia, nos desafia
a viver numa constante posição de reflexão e questionamento;
Analisando cada proposta do mundo em confronto com as heranças do CÉU.
Ou seja, a Geração Metanóia sabe escolher, sabe decidir.
Sabe, porque teve a vida transformada por JESUS.
VIDAS TRANSFORMADAS INFLUENCIANDO VIDAS.
INTRODUÇÃO
O material está formatado como um estudo, portanto, prepare-se para uma leitura atenta, pois, somente assim, você poderá se apropriar do conteúdo a ponto de transmiti-lo a outros e ser um disseminador da mesma idéia. Isto é, além de documentar e ampliar o conceito do lema da FUMAP, o presente trabalho pretende incentiva-lo, junto com sua mocidade, em nível local ou regional, a viver a transformação de que precisamos para uma juventude com uma mentalidade cristã.
Dada às devidas explicações iniciais, vamos, então, percorrer em linhas gerais o mesmo caminho que percorremos no dia 29/01/08. “Vamos”, porque a partir de agora você é convidado a andar no mesmo caminho sem ficar para trás, nem mesmo desistir. Ao final do presente trabalho, teremos uma parada para chegarmos a algumas conclusões para os próximos passos da longa caminhada que Deus tem preparado para cada um de nós no contexto de nossos ministérios.
1. Um modelo de comportamento humano
O Dr. Larry Crabb, em seu livro “Aconselhamento Cristão”, apresenta um sistema de aconselhamento psicológico baseado em princípios cristãos. Antes, porém, Crabb ocupa tempo em dar uma concepção bíblica do ser humano como imagem de Deus e a maneira pela qual essa imagem se tornou opaca e embaçada ao longo da história. Ao mesmo tempo, o Dr. Crabb nos introduz ao que se pode chamar de modelo geral de comportamento humano, a partir da seguinte tríade:
- crença básica
- motivação
- atitudes
Para fins de nosso objetivo não vamos detalhar as idéias do livro, mas basicamente ele defende que uma pessoa define suas atitudes perante qualquer fato da vida de acordo com aquilo que ela acredita (crença básica) sobre o assunto em questão. Esse “acreditar” move a pessoa gerando impulso e força (motivação) em direção a satisfação do desejo e/ou necessidade. Esse conjunto de coisas, que acontecem de maneira tão natural e simultânea em nosso dia-a-dia (ao ponto de nem percebermos que assim se processa) leva uma pessoa a tomar uma atitude, a assumir um comportamento. Assim, uma atitude, para Crabb, está baseada em uma crença básica interna; esta, por sua vez, motiva e impulsiona qualquer um de nós a realizar certas coisas que entendemos satisfazer tal necessidade ou desejo latente.
Vamos facilitar através de um exemplo: o garoto Júlio!
Júlio tem quatro para cinco anos de idade. Essa é uma fase em que a criança passa por um momento de “auto-centralização”, ela ainda é egocêntrica. O Julio consegue tranquilamente brincar sozinho, falar sozinho como se estivesse com diversos amiguinhos. Faz assim justamente porque vive um momento auto-centrado da vida. Em circunstâncias normais o maior referencial para Julio será seu pai. Vamos ver a teoria do Dr. Crabb em uma situação específica da vida do garoto.
Um belo dia seu pai o pega no banheiro de casa com o rosto cheio de creme de barbear que o menino passou em si mesmo:
- Filho, o que é isso??
- Viu, papai! Já sou homem, eu tenho barba!
O pai é seu referencial. Seu objetivo (necessidade / desejo) é ser homem como o pai. Sem ao menos perceber, ele acredita que “se fizer a barba como meu pai faz, se tiver barba como meu pai tem, eu serei um homem como ele é” (crença básica). Essa crença do Julio o motiva, o impulsiona: ele quer ser parecido com o pai (motivação)! Essa motivação o faz tomar uma atitude: ir ao banheiro e encher o rosto com o creme de barbear do seu pai.
Vamos analisar: a crença de Julio está correta? Isto é, é a barba que faz um homem? Ou será que um homem é feito de seu caráter, sua formação, os anos de amadurecimento pelos quais o Julio há de passar? Ainda que tivesse uma boa motivação (parecer com o pai) a crença errada levou Julio a uma atitude pouco eficaz na busca de seu objetivo. Aliás, ao final da experiência, o que Julio tem é a frustração de continuar um menino. Obviamente para a criança isso é extremamente interessante, lúdico e cheio de aprendizado e o Julio poderia ser qualquer um de nós brincando com carrinho ou bonecas, sendo médico ou brincando de casinha. Mas não é isso que queremos destacar, queremos simplesmente mostrar que uma crença errada, gera motivações erradas, que desembocam em atitudes erradas que ao invés de conduzirem para a satisfação e realização, conduzem indubitavelmente às frustrações.
2. O Júlio pode ser você!
Em proporções bem diferentes, o que está acontecendo com o Julio está acontecendo entre a juventude e mesmo entre muitos adultos. Crenças erradas têm gerado atitudes erradas. Crabb costuma usar a palavra “programação”. O programa de Satanás, a agenda deste mundo, o projeto de uma felicidade baseada em conquistas, em sucesso, em satisfação e prazeres pessoais ilimitados foi colocado em nossa maneira de pensar e ver o mundo. O programa de Jesus, a agenda do céu, o projeto de amor compartilhado, fazendo o bem para o próximo, sendo fiel aos relacionamentos, sabendo esperar o tempo certo para cada coisa da vida e encontrando nesse caminho a felicidade é um programa obsoleto, pouco usado, largamente combatido por nossa sociedade. Como um garoto de quatro anos auto-centrado (algo que faz parte do processo natural de desenvolvimento humano) continuamos com 16, 20, 25, 35 anos centrados em nós mesmos. Por quê? Por causa daquilo que acreditamos: seremos felizes sempre que fizermos exatamente aquilo que nos dá prazer e buscarmos nosso sucesso profissional e relacional. Uma vida de auto-realização é a moda, enquanto uma vida de auto-sacrifício é uma ofensa para uma geração que comprou o programa que nos está sendo vendido.
Sempre que tentamos mudar parece que conseguimos por um tempo, mas logo estamos de volta no mesmo ponto. Por que será? Vamos ao Crabb, mais uma vez. Talvez porque mexemos em uma das peças do modelo de comportamento negligenciando outras.
3. Mudando atitudes e motivação
Muitas vezes focamos na mudança de atitude. O garoto ou garota da sua igreja começou a ter um comportamento diferente em relação a coisas que prezamos (más amizades, saídas noturnas, namoro sem limites, bebidas alcoólicas). Quem sabe num belo retiro que ele foi a mensagem o impactou e ele sai de lá disposto a “nunca mais cometer tal erro”. Só que ele volta a se deparar com situações cotidianas que o expõe ao mesmo problema de antes. Por algum tempo ele resiste, mas logo volta à prática das mesmas coisas. Talvez o que está acontecendo é que houve uma mudança de atitude, mas suas crenças continuam as mesmas: ele continua acreditando que sua felicidade está em fazer exatamente o que outros amigos fazem, pois assim será aceito, pois assim terá sucesso, realização. Aí a motivação que o retiro deu, que um bom culto dá, que boas mensagens oferecem são todas jogadas por água abaixo quando ele percebe que outros jovens da comunidade vivem com um pé dentro e outro fora. Aí pensa: “vou continuar sendo bobo e tentando sozinho? Eu não!” A motivação volta a ser a mesma: a auto-satisfação e, assim, consequentemente as atitudes tendem a voltar ao ponto em que se encontrava antes do tal retiro. Aqui, Crabb acrescenta em seu modelo a idéia de “obstáculos”. Diante da mudança de atitude e motivação os obstáculos irão impedir um comportamento mais duradouro, quando não há também uma mudança de crença básica. São três os tipos de obstáculos que ele nos apresenta: desejos inatingíveis, fatores externos e medo do fracasso. O fato de achar que nunca mais vai errar torna-se um desejo inatingível (a pessoa sabe que não deve pecar, mas desconhece a Palavra de Deus quando diz que se pecarmos temos advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o justo e outros textos que nos garantem o cuidado de Deus). Ao achar que nunca consegue culpa-se a si mesmo por isso, tendo a noção de ser a pior das pessoas. Os fatores externos agem de outra maneira. Tudo parece que vai bem, mas um comentário de alguém, um desgosto com alguma(s) pessoa(s) torna-se uma pedra no caminho e novamente desanima a pessoa. O medo do fracasso é uma combinação dos dois anteriores, pois ao não dar certo por uma coisa ou outra, o obstáculo de medo de tentar de novo se instala impedindo a pessoa de prosseguir no desejo de mudança.
4. Mudando a crença básica
Mudar a atitude e a motivação são coisas importantíssimas. Devemos continuar pregando mudança de hábitos, devemos continuar buscando motivação para manter a juventude unida, animada, afinal todos precisamos estar motivados naquilo que fazemos. Mas sempre que deixamos de lado a mudança da mentalidade não conseguiremos resultados ao longo prazo. Uma nova maneira de encarar a vida nos torna livre para novas atitudes e até a motivação muda sua maneira de agir sobre nós. Se ao invés de acreditar que sou feliz quando faço o que quero e passo a acreditar no meu íntimo que sou feliz quando estou debaixo da vontade de Deus, mudar as atitudes torna-se uma conseqüência da nova maneira de acreditar.
João Batista entendeu isso bem antes de nós e do Dr. Crabb. Leia Lucas 3. Leu? Se não leu agora, pare a leitura desse texto, pegue a Bíblia e leia! Perceba nos primeiros versículos a visível alteração de foco de luz: o capítulo começa apresentando os poderosos, os donos do poder político e religioso e os centros geográficos desses poderes. Já no v. 2 o foco muda de direção: João, no deserto! Deus dirige-se a João, não aos centros poderosos de então (rimou!). Deus estava com João Batista, pois ele tinha uma mensagem de arrependimento.
Costumamos pensar na mensagem de João como a pregação do rito do batismo. A idéia de que João pregava tentando convencer seus ouvintes a descerem às águas batismais e ponto. Mas não é só isso! João entendeu que ele vivia em um tempo que as pessoas, como hoje, estavam atentas somente a si mesmas. Enquanto todos buscavam o sucesso, enquanto seus amigos foram se alistar para serem publicanos, enquanto o grande lance daquela juventude poderia ser algo como trafegar com o mais novo modelo de Camelo nas praças das grandes cidades para serem apreciados pelas garotas de outrora, João entende que nada disso é o que realmente traz felicidade. João passa, antes de pregar aos outros, um processo de arrependimento.
Biblicamente, essa palavra, em grego, é “Metanóia”. Não é um simples remorso por estar errado, mas é toda uma mudança (meta) de mente (noia) que conduz a um novo caminho, gerando novas atitudes. Tanto é que João fala em frutos dignos de arrependimento (v.8). Os frutos são as atitudes mudadas dos vv. 10 a 14. Mas para darem tais frutos precisa nascer uma nova árvore. Voltando a linguagem que temos usado, a atitude mudada é fruto de uma nova mentalidade.
5. Geração Metanóia
Entendemos que precisamos conclamar a nossa geração a uma profunda transformação de mente. Antes de continuar, não importa muito definir o que mudará primeiro: atitude, motivação ou crença. Só não podemos perder de vista que frutos duradouros somente são possíveis em uma árvore bem plantada, com profundas raízes, que nada mais são do que crenças corretas sobre Deus e sobre a vida.
No site da FUMAP (www.fumap.com.br) você pode encontrar todas as peças da campanha de incentivo para sermos a Geração Metanóia. Utilizamos o símbolo do cérebro com o peixe (símbolo dos cristãos primitivos) tentando passar a idéia que a transformação cristã passa a ter Cristo como centro. O cristianismo precisa dar a direção às nossas decisões e o processo da Metanóia possibilita essa nova realidade para cada um de nós.
Precisamos estar atentos à maneira como o mundo pensa, refletir com base no cristianismo, ver o que é possível aproveitar, descartar o que não é e agir conforme essa reflexão. Isso é fazer parte da Geração Metanóia. Uma geração que não vive mais em função do que esse ou aquele pensa, mas valoriza o que Deus tem para nós, as riquezas de Deus, os planos de Deus. Independente de alegrias ou tristezas, a crença do controle do Pai, nos mantém fiéis. As tristezas nos abalam, mas não nos destroem, as alegrias nos alimentam, mas não nos desconcentram a ponto de tornarmo-nos auto-suficientes novamente. Vivemos em Deus, para Deus e para influenciar e ajudar outros nessa mesma busca de mudança de mentalidade.
6. O conceito de transformação no Novo Testamento
A palavra Metanóia aparece na pregação do Batista e também na pregação de Jesus. Paulo utiliza essa palavra poucas vezes. Os autores do Dicionário Internacional do Novo Testamento vão dizer que o conceito de Metanóia (mudança de mentalidade) perpassa todo o NT. Outra palavra utilizada que denota o mesmo conceito é metamorfose. Sua utilização se dá somente duas vezes em todo o NT. Uma delas é em Romanos 12.2, o conhecido texto “transformai-vos pela renovação da vossa mente”.
Se você percebeu, muitas vezes durante esse texto usamos a palavra mentalidade em vez de mente. O termo grego “nous” é mais abrangente do que a fonte racional e lógica do ser humano. Ele nos remete ao íntimo do ser, ao racional e lógico, como também ao emocional e sensitivo. Mudar a “nous” é sofrer uma mudança completa não somente no racional, mas em todos os aspectos do ser que chamamos aqui de “mentalidade”. Mudar racionalmente, com um coração duro e insensível não adiantará muita coisa. Ao mesmo tempo, um mole coração não é de muita valia sem uma racionalidade que garanta maturidade para o processo de transformação.
Outra palavra grega que remete mais diretamente a mente como racionalidade é “sophronos”. Ela denota mais o aspecto racional, pois sempre que é usada está em questão ser mais coerente, racional, equilibrado frente às decisões a serem tomadas. Por exemplo, Paulo ao dirigir-se a Tito (2.6) pede que ele aconselhe aos jovens a serem criteriosos (sophroneo). O conselho busca a racionalidade do jovem, ao equilíbrio para tomar uma decisão, a agir com coerência, com moderação, com sabedoria.
Paulo ao construir Rm 12.2 contrapõe “metamorfose” a “skematizo”. Em português o contraponto está entre transformação e conformação, respectivamente. Sair da forma do presente século para uma transformação para uma nova mentalidade, para que a crença básica não esteja mais baseada na forma do mundo, mas na vontade de Deus, que é boa, perfeita e agradável.
A palavra principal não é mudança ou transformação, mas mentalidade. O conceito é o mesmo. Mudança determina um novo caminho, transformação determina uma nova forma. A preocupação em ambos os casos é que haja uma nova mentalidade, não mais orientada pelo padrão que nosso tempo nos oferece, mas orientada pelo Eterno.
Nosso foco, ao usarmos Geração Metanóia, não se concentra numa palavra, mas no conceito que ela nos ajuda a enxergar: transformação, mudança de vida. Por isso junto com ela, agregamos ao nosso lema as seguintes frases: Vidas Transformadas. Influenciando Vidas.
Enfim, além de lema, queremos levar uma proposta de vida mudada que influenciam outras. Se pararmos no lema, criamos um mote, uma motivação talvez, um ritual para compararmos com João Batista. O nosso foco, da FUMAP e de cada leitor desse texto disposto a pregar para nossa juventude é levar um conceito maior: mudança de mentalidade, que muda valores, que altera atitudes. Nosso desafio é encontrar estratégias, como João encontrou a dele que serviu para seu tempo, que possibilitem essa mudança. Nosso desafio maior é vivermos em constante reflexão, tendo a Palavra de Deus como espelho, orientados pelo Espírito Santos e prontos para analisar as propostas da mentalidade de nossa geração e sermos transformados pelas propostas da mentalidade cristã, sendo mais que uma geração consumida pela falta de reflexão, mas sermos a Geração Metanóia, que tem Cristo na cabeça, seu amor no coração e uma profunda motivação para agir conforme o que Ele quer de nós. Que Deus nos abençoe e nos ajude.
Em Cristo,
Equipe da FUMAP
Gestão 2008-2011
